Vocábulos - Alma do Poeta: Manico (entre alfinim e malabarismo)

20 de out de 2011

Manico (entre alfinim e malabarismo)


 Uma história que parece comigo,
                              e com muitos outros migos.
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...Olhaí
o alfinim
...olhái
o alfinim

Manico
era um exímio
vendedor de alfinim
costumava andar
longos percursos,
té vender toda produção

Na
sua tábua de alojar os doces
havia oitenta e hum furos,
costumava voltar para casa
depois que vendia todos

Morava no Xame-xame
alí por trás da igrejinha
pequeno grupo humilde
no meio da elite
costuma ir a pé pelo Itororó, fonte Nova
cruzava a Joana Angélica, Barroquinha
Baixa do Sapateiro, subia a ladeira
até chegar a praça da Sé (Terreiro de Jesus)
era lá enfrente a igreja, que dava um tempo
às pernas; e ao Tabuleiro de alfinim

Na década de setenta, o terreiro
era um verdadeiro caldeirão
de ideologia e comportamentos
tribos de todo canto, verdadeiro colorido
de humanos e indumentárias
alie-se a isso o movimento hippie
aos poetas que sempre gostara da rua
trupe de circo (malabaristas, mágicos equilibristas etc)
o terreiro era a concentração
das passeatas, lá víamos os artista engajados
foi onde Manico viu Luis Melodia
observando a prateleira de vinil
nas lojinhas da praça da Sé;
havia feira de artesanato
exposição de passarinhos etc

Porém,
Manico alimentava um sonho
de se tornar malabarista
adorava perder tempo,
vendo os malabaristas
fazerem suas piruetas com objetos
o que mais o fascinava
era a dança dos objetos no ar

Um dia um circo de Portugal
sentou praça na Cidade-baixa
e foram fazer uma demostração
no terreiro de jesus, bom!
não teve jeito,  Manico
foi ao capataz do circo
e enquanto não conseguiu vaga
não sossegou, fizera em silêncio
sem falar para a família

Numa quarta-feira de abril
dia de São Jorge, Manico largou
seu tabuleiro num lugar secreto
e se mandou com o grupo circense

Não dera notícias aos pais
e estes ao longo de uns dias
achara que o filho estivesse morrido,
porém, ele resolvera escrever
da Espanha, para a família.

Muitos anos depois o circo viera à Bahia
desta vez para o Campo grande
foi aquela alegria geral, velho amigos de rua
a família, parentes e óbvio ver se
o tabuleiro ainda estava no esconderijo

Manico se tornou
um grande malabarista
cobiçado por proprietário
de circo do mundo interiro
mas por questão ética de educação
trabalha no mesmo circo desde o início

E então; depois de todas as visitas
Manico era só ansiedade 
para o bem de todos os seus sentimentos
tava lá o velho tabuleiro de alfinim;
dos doces que haviam, as formigas
aproveitaram até os palitos, porém
o tempo não conseguira deteriorá-lo
e Manico chorou emocionado ao resgatá-lo
desmontou-o e levou consigo onde
guarda até hoje.

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