Vocábulos - Alma do Poeta: DA série: "Quem faz um poema abre uma janela

20 de out de 2011

DA série: "Quem faz um poema abre uma janela

"Acordei ao som do pintassilgo
              do canário e do rouxinol
              abro todas as janelas
              deixo entrar o ar" (Manuela Vieira)

Epígrafe I - Eterno e Infinito (fronteiras sem limites)
DEDICADO CARINHOSAMENTE A MANUELA VIEIRA.


No silêncio
das madrugadas
procuro compreender o tempo
e me deparo com o infinito

No silêncio das madrugadas
me abro ao tempo, e participo-lhes
dos meus segrêdos e pretensões
e ele se mostra eterno e in compenetrável
na primeira esquina dos continentes
ele revela aos ventos
as minhas intenções, até então sigilosas

Agora já não são meus, os segredo intimos
os ventos os levaram:  ao infinito e 
                       a eternidade

No silêncio
das madrugadas
há uma solidão fascista:  em cada olhar
                          em cada gesto
                          em cada atitude
                          em cada choro e
                          em cada sorriso

No silêncio das madrugadas
compulso pelo tempo
e escuto gemidos:  eróticos
                   obscenos e
                   libidinosos
são sussurros estridentes
que ameaçam a todo instante
o silêncio inserido na noite
e eu me pergunto: "onde está o espelho
                   que Narciso me filou?
se ao menso eu pudesse ver-me
me conformaria com o meu real retrato
projetado pelo referido espelho.

No silêncio
proposital das madrugadas
todo barulho (mesmo um ruído)
é infernal aos ouvidos
...menos...a boa música
..esta é capaz de fazer milagres
pois há música: nos ventos
                no farfalhar das folhas nas árvores
                no infinito e
                na morada de Deus
então, nas caladas da noite
cante um louvor ao Senhor
Ele irá ficar agraciado
e retribuirar-te-á com sinais de prodígio
operando um milagre
para nos livrar
dos sussurros infernais
que a poluição sonora fere o silêncio
da majestosa noite.

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