Vocábulos - Alma do Poeta

20 de out de 2011

Brincando com os poetas amigos (part III) -






Dos versos
de Manoel de Almeida
aprendi a ler e declamar
por entre alameda
e no percurso onde
pranchas em forma de poemas
se estabelecem por entre árvores
sou fruto da imaginação
das poesias de Amarilis Pazzini
vejo versos de uma nova geração

Comprometido com os vocábulos
estou eu, a apreciar os alpes
poemas com mestria e simetria
feito os versos de Alício Alves
tão nu e tão real
quanto seu violão, da foto no chão

E eu envaidecidamente
embevecido de rimas, e rima e rimas
fico mais feliz ainda
quando leio Zezinha Lins
e seus poema é como música de Ivan Lins
uma soberania a cada verso

Feito poeta estou eu
instalado e restaurado
entre vocês irmão, cúmplices, amigos
e dos escritos de Taís Mariano
meu Deus que poetisa!!!
são versos que nunca me engano
e lei-a e leio-a e leio-a, numa linha
me equilibrando por entre o meridiano
atingindo os dois hemisférios da terra

E de lá do alto
majestosamente o reino dos poetas
gritarei para a Dama dos vocábulos
em alto e bom som
que dos poemas que me emprestes
estejas presente Beatriz Prestes
onde cada nota musical de suas poesias
tudo, tudo mesmo, é motivo de alegrias.

Em tempo de reflexão (diante do espelho)






Ao
contemplar
o meu  semblante num espelho
num momento
peculiar
percebi o quanto
o tempo
nos rouba (ou frusta)
nossa idade

No ápice
da terceira idade
a ida
 a vaidade
mostra a certeza do tempidade
(tempo e idade)

Óbvio
a culpa é do espelho
porém se nele está
a verdade in loco
ninguém escapará
da certeira idade apresentada pelo espelho

Se minha foto
não fosse tão amarelada pelo tempo
e não me denunciasse
(pelas rugas de diferença)
aí sim!!!
a foto seria algo genial
mas, genial mesmo
só o espelho
refrata nossa real ida
ao pretérito, enfocando o presente

então incorporemos ele (o espelho)
como elemento de pura emoção,
instantaneamente
Debalde
neste momento
convido o leitor a fazer
essa leitura diante do espelho
e descrevê-la, dissertar
leia o que ele mostra
faça um rascunho e solte
por entre as folhas caidas
com a chagada da primavera
e na renovação
das folhas dentro dos espelhos
renascemos também

Leitura meditativa



Para mim
não importa as guerras
elas são mentes dominandas
por quem não quer paz
estupidamente
desumanos

Para mim
não importa a inveja
ela desgasta a originalidade
das coisas que são essenciais a vida

Vivemos num mundo
onde a infelicidade impera
porque muitos esquecem
da criança que habita dentro de nós

Para mim
não importa a cobiça
isso é coisa de gente ordinária
onde a lei é a ignorância
e esquecem da doutrina cristã

Agora, o amor
para mim me interessa e muito
nele reside toda sabedoria
e toda a felicidade
vem através do amor
dos nossos atos, das nossas relações

A solidariedade
me interessa e muito
é através dela
que nos tornamos
mais humanos possível

A maioria das pessoas hoje
só se preocucam consigo mesma
e esquecem que o amor
é um pouco se doar
é um pouco de compreensão
é não desejar o mal
tendo amor
a felicidade chega e faz morada

Desafio semanal poemini - 05 - Mário Bróis.





            Um diálogo, penetrante
            onde o silêncio é telepático

Samba do orvalho






Ao
acordar
nesta madrugada
com a despedida
do nobre arrebol
pude sentir
um samba correr nas minhas veias

Com
a presença da alvorada
vi a gota do orvalho feito lágrima
escoando folha abaixo
feito lágrimas de emoção
e o ritmo do samba
dentro de mim me descontraindo
e eu fiquei pensando
nos movimentos daspassistas
na hora do sambódromo

Em
cada compasso
uma flor
um poema em cada passista
uma rosa
para a porta bandeira
para a bateria
daria toda primavera
descrita
pelo poeta da paz
Rogério Miranda
aí sim tudo será
só alegria.

Da série poemas misssivos (IV carta)






Para Marina - uma filha

(Mar)ina
mar
M(ar)ina 
ar
(M)a r(ina)
mina
meu mar, meu ar, minha mina

Marina linda
eterna fonte d'água a minar
de ti quero incorporar
tua simplicidade aliada a tua beleza
teus gestos meticulosos sem malícia
teus cabelos crespos para trançá-los
teu perfume para ser um conquistador

Marina linda
tulipa das minhas liliáceas
tom exótico de minhas orquídeas
árvore frondosa da minha floresta
eterna fonte d'água a minar

Ó doce arrebatadora
dos  meus sentimentos
doce delírio dos meus delírios
encanto maior dos meus encantos.

A dama dos vocábulos




Poeisa feita para Márcia Vilarinho
Acima de tudo pela nossa amizade
,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,.,

Ò dama expressiva
                  dos vocábulos
Arqueóloga nossa
                  da semiótica
desbravadora contundente
                  de missivas
Carmelita sapiente
                  dos hieróglifos
desgustadora exímia
                  de literatura

Que com seu dolmã
e espada em riste
do alto de sua elegância poética
(em exaltação às suas virtudes)
dirá:  "e viva a democracia da poesia"


Esqueci o título




Dos
versos
que sonambolantemente me permeiam
em noites pirilampos

Da
concentraçao
lembro dos campos minados
perdendo soldados
livrando-os
das amarguras dos peasdelos

Meus versos
em resíduos fragmentados
clamam por vocábulos nobres
como eles não chegam
nos intervalos da insônia
sinto o odor da hamônia
in-narina adentro

Se
o alprazolan
me retira da manhã
a nobreza e beleza do arrebol
onde se esconde o meu sol?
que dele o meu eu se perdeu.
Porém
se na noite eu me acho
por inteiro
com as estrelas
então elas me pertencem e eu a elas
a noite sou puro espelho lunático
e se a é lua cheia
sou inteiro, sou total
entretanto em quarto minguante
sou resíduos de cintililância

Honrosamente
se tenho as estrelas como parceiras
jamais deixarei de ter brilho próprio
reluzente - re-luz-ente
e neste infindo cintilante
lembro dos amigos poetas
é eles mesmos as estrelas que me refiro
me tornando estrela entre eles
visto meu terno
pra ficar elegante
Aproveito improviso um palco
e faço um discurso feito um poema:

"amigos poetas, entre sóis
e entre luas
estamos nós soprando versos
no meio do tempo
no meio das ruas
por entre sol e por entre lua

Saudades d'amores


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"Serei colecionadora
de sonhos e silêncios
que possa gritar
pois estou viva"


- Ivana Shäfer, que versos heim?
Pela saudade sentida por mim.

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Bom
seria
ter teus olhos
de mar
dentro do meu
oceno de amor

Bom
seria
ser teus olhos
invadido pelo
meu mar
de saudades

Bom
seria
ter você aqui agora
para não existir saudades

E neste universo
de saudades
e mar
e olhar
e amor
todo meu eu
se contorce de dor
dos tempos de nosso amor
fugas, ganancioso
hilariante, ufanos
lembro dos gritos
de pasmo e mais pasmos
e minhas entranhas tremiam
de tanto prazer

Bom
seria
não ter acabado
nunca
e se nunca existisse
com certeza
você existiria eternamente
mesmo fora da mente.

Poemini desafio da casa 04 - Mário Bróis




             Acima do arco-iris
                     um olhar de iris

Pequena resenha


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Toda
vez que olho
a imagem do gato
no desafio pomini
desta semana caio
em crises de riso
o que eu já ri
de ontem pra cá
dava pra ocupar
uma platéia de circo

Acho, aliás tenho
certeza que não vou
conseguir fazer o poemini
até porque os que estão postos
cada um mais interessante
que o outro.  Ontem
ao abordar Vitalina Aparecida
se era uma gatona ou um gatão
ela disse que era um gatão embevecido
e que tinha o olhar do Jack Nicholson
ka ka ka ka kaq ka ka ka ka ka
acho que também tem
um pouco do olhar
de Nei Matogrosso.
enfim, foi para mim
a imagem mais desafiadora até agora.

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Candeeiro e Roçado (velhas lembranças)


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Quando via a chama
do candeeiro a querosene
da minha avó Josefa
costumava me concentrar
por um longo período
observando o movimento
da chama vertical
ora
riste, estática
ora outra
movimentando-se
(em função do vento)
neste instante minha atenção
redobrara-se, ela (a chama)
entrava num processo de equilíbrio
oscilando de um para o outro lado
eu conclui que com estas observações
era uma lição para eu enxergar
o que estava ao meu redor
e não apenasmente ver
também injetou-me paciência

Fora
um tempo áureo
em que a agricultura
ainda não industrializara-se
e eu cresci ali na Boca da Mata
(hoje, Ceará-Mirim)
por entre engenhos de cana-de-açúcar
muitas fruteiras, e vegetação
tinha eu um carinho todo especial
por um pé de serigüela
quando tava na safra me avô Zacarias
colhia do pé, e dizia pra minha avó
- quando o molequinho Mário
chegar do primário (escola de alfabetização)
é para ele lanchar; achava uma delícia
e eu era um menino danado
subia nos pés de mangas. cajus
fruta-pão, goiaba, azeitona...

O meu avô Zacarias
tinha um roçado lá no fundo do sítio
de onde colhia o alimento da família
e ele não gostava que entrassem lá
tinha um enorme ciúme do tal roçado.
Dos netos dele, o único que nunca entrara fui eu
gostava de respeitá-lo ao máximo
e com isso tinha todo apoio dele

Quando eu
já grande, homem feito
já com emprego fixo e tudo mais
morando na capital, soube da morte dele

Resolvi fazer uma visita ao velho sítio
a primeira coisa que olhei foi o candeeiro
e ele não estava no mesmo lugar
ao entrar no velho roçado,
fui tomado por uma emoção muito forte
e perdi os sentidos, acordei
no leito do Hospital da cidade
em instante chegou o médio,
o Senhor é Luiz Mário, - sim senhor!
- tem uma visita - faça entrar
era uma tia minha, muito apegada
- abença tia Maria! - Deus te abençoe
- soube que estava aqui
e vim deixar uma encomenda
que meu pai, seu avô me responsabilizou

...fui tomado por uma sensação agradável
também sob efeito da medicação
quando abri o invólucro, era o candeeiro
o mesmo candeeiro onde aprendi a meditar
através de sua chama, dentro um acarta manuscrita:
"Querido neto
Luiz Mário:
já tô com idade avançada
e sinto que meus momentos
agonizam e clama para o além
mas, se a memória não me falha
percebi várias vezes você concentrado
no chão de barro da sala,
com olhar fixo neste iluminador
com a chegada da energia elétrica e
u guardei, porque sabia que um dia irá chegar
o momento de você procura-lo
guarde como lembrança do meu carinho por você.
....................Vôzaca.................

Existem momentos
que jamais se apagarão
de nossas memórias.

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as coisas e não só ve-las

Entre a bússola e o tempo (espelhamento de uma poetisa)


Entrego
as partículas
do meu tempo
a minha inseparável bússola

Ida
das minhas voltas
ou
voltas
das minhas idas

Sem ela
me perco
com ela
me acho

Se
eu não me achar
alguém
me achará por mim
de preferência
que seja Regina Raggazi
tão linda e tão mulher
tão poetisa, tão talentosa
pelos seus poemas
me desnudo e me desagarro
dos vocábulos
para que sejam só seus
aí sim
de posse da poesia dela
tanto faz
estar com bússola
ou sem bússola

Para ela
sou a consumação
de todos os versos meus
para me encontrar
nos versos seus

- Se é tietagem?
- nem sei!
- se é paparicos?
- também não sei!!!
- acho que excesso de admiração.

Se Regina fosse verbo
conjugaria-a no tempo
mais-que-perfeito
e veja que tô falando
de beleza interior
no mais o espelho
falará por mim

- Regina, aceite estes versos,
foi fruto de uma avaliação minha
de você para com os poetas aqui,
enfim; é fruto do seu carisma, para
conosco.

Inversão ao dilúvio




Em tempo: Sorriam Alício voltou
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E
de chegar o dia
em que todas as nações
irão degladiarem-se entre si

...O porquê?
   vos direi
   escassez da seiva planetária

A sede
d'água
impulcionará
os homens a lutar, lutar, lutar
famigeradamente
acirradamente
aí veremos quem é mais forte
na hora da sede

As
primeiras civilizações  sucumbiram
por não manusezea-la a contento
hoje
manuseamos mas não preservamos

As fontes
de suprimento estão gritando
revoltadas com a poluição
que já não é orgânica e sim química
e o homem insiste em busca da própria morte

Alguém ai
já participou
de um rodízio de água?
é veridico, ví nego tomando
a própria urina,
na comida muito sal
provocando sede, é um desespero

E
nessa ganância
de sede e sede e sede
nosso país será invadido
porque aqui há as maiores reservas
potáveis do mundo
e o homem continua contaminando-as.